Construção da escrita na Educação de Infância

Esta semana vou reflectir sobre a construção da escrita na Educação de Infância, pois algumas crianças do grupo têm demonstrado interesse por esta área. Na sala existem cartões com o nome e a respectiva foto de cada criança. Algumas crianças adoram pegar, não só no seu cartão, como também no dos colegas, para copiar os nomes para uma folha branca. Há duas crianças, em particular, que conhecem todas as letras do abecedário. Uma delas escreve o que quer que seja, se lhe dissermos quais as letras que compõem uma determinada palavra. Outra criança escreve os nomes das estagiárias, da educadora, das auxiliares… As investigações das últimas décadas informam-nos de como as crianças se iniciam cedo e espontaneamente na produção de grafismos. Progridem de traços contínuos e indiferenciados para formas mais definidas, com uma ordem linear de elementos e com a progressiva incorporação das letras convencionais. Está comprovado, igualmente, que a motivação para escrever, para explorar e experimentar a escrita, se encontra estreitamente ligada a um ambiente motivador. Deste modo, a intervenção do educador torna-se determinante. Responder às dúvidas, escrever o que as crianças pedem, proporcionar o material necessário são algumas formas adequadas desta intervenção. Portanto, quanto maior for o contacto das crianças com situações de escrita de qualidade, maior será o se interesse e o desejo de aprender. Uma das vantagens do contacto precoce com a linguagem escrita é o facto de a criança ir formulando hipóteses e ir percebendo que a cada tipo de suporte corresponde um tipo de conteúdo, A escrita espontânea, em que a criança escreve “como sabe” e o educador não corrige, mas que incentiva a continuar a produzir, tem por objectivo que a criança adquira segurança como escrevente, que aprenda acerca das tarefas do escritor e da escrita. O desejo de escrever o nome ou identificar palavras ou letras, iniciam o caminho da forma escrita, do significado do código e da correspondência entre grafismos e sons. Fomentar a curiosidade e convidá-los a escrever serão os estímulos que o educador poderá utilizar para promover os avanços na aprendizagem. O processo de alfabetização, pelo qual as crianças avançam pelo seu próprio passo a caminho da escrita, atravessa diferentes etapas:
- Etapa pré-silábica – a escrita não responde a uma consideração das sílabas que formam cada palavra, mas são uma primeira resposta à compreensão de que a escrita é um sistema de representação gráfica de significados. A escrita não é orientada por critérios linguísticos; a criança pode usar letras convencionais, não convencionais ou números; aponta o escrito num gesto rápido; a leitura é global. - Etapa silábica – é o momento em que a criança compreende que os grafismos correspondem a certas partes das palavras (sílabas) e começa a atribuir uma representação gráfica a cada som ou grupo de sons relevantes. Em geral, reconhecem-se primeiro os sons vocálicos e depois os consonânticos. - Etapa alfabética – surgem escritas convencionais ou muito próximas da convencionalidade; reconhecem-se palavras completas ainda que possam faltar letras na escrita; identificam-se todos ou quase todos os sons que correspondem às grafias adequadas. A linguagem escrita pode ser abordada no jardim-de-infância uma vez que as crianças possuem conhecimentos acerca da mesma antes da entrada no 1.º Ciclo. A questão que se coloca é “como fazê-lo?” O educador, para favorecer a passagem de uma etapa para a outra, pode: - Etapa pré-silábica - Ajudar a criança a reconhecer palavras e diferenciá-las de desenhos; - Ajudar a criança a reconhecer palavras e diferenciá-las de números; - Favorecer a cópia e a escrita do nome próprio; - Escrever textos ditados pelas crianças. - Etapa silábica - Ajudar a criança a procurar palavras que soem como outras conhecidas; - Ajudar a criança a identificar palavras que comecem com determinadas letras. - Etapa alfabética - Valorizar todas as situações de escrita possíveis e as actividades de escrevente.

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