Dada a época que estamos a atravessar, esta semana vou reflectir sobre a magia do Natal na infância e o consumismo que está inerente a esta. Qual é o efeito da publicidade televisiva de brinquedos nas crianças? Quais são os públicos-alvo da campanha publicitária de Natal? Será que os mais pequenos são como esponjas e absorvem indiscriminadamente as mensagens apelativas? Qual é o papel dos educadores perante tudo isto? Nesta época, na maior parte das crianças, prevalece uma entidade imaginária, com figuras mágicas como o Pai Natal, o Menino Jesus, as renas, etc. Contudo, muitas delas nem sabem muito bem compreender a diferença. Cabe-nos a nós, educadores, esclarecer as dúvidas, respeitando os costumes e crenças de cada um. Esta época continua a exercer um fascínio único no imaginário das crianças, no entanto, está cada vez mais conotada com a troca de bens materiais, com o consumismo. Em casa, na rua ou nos supermercados, surgem imensas mensagens publicitárias que levam as pessoas a querer sem necessitar, a comprar apenas para ter. Além disso, na televisão surgem imensos anúncios de brinquedos, que são intercalados, estrategicamente, com a programação infantil, tendo como principal objectivo vender prendas que não durem mais de doze meses. O brinquedo perfeito é aquele que fica obsoleto ou estragado antes do próximo Natal, é aquele que “abre o apetite” para os brinquedos que serão lançados no próximo Natal. Esta estratégia é posta em prática não só com o auxílio dos spots publicitários (em doses maciças), mas também através das próprias séries de desenhos animados e filmes. Investigações feitas demonstram que as crianças, com idade inferior a 8 anos, são mais susceptíveis de aceitar as mensagens publicitárias como sinceras e exactas. É, neste sentido, que se torna fulcral ajudar as crianças a perceber que a televisão nem sempre apresenta as coisas como elas são. A vontade de querer manifesta-se logo nos primeiros anos de vida e agrava-se na adolescência. Assim, nós educadores, assumimos um papel preponderante, na medida em que podemos evitar que as crianças se tornem vítimas do consumo, ajudando-as a perceber que existem alternativas de bem-estar, que vão muito além do consumo. Outra questão de enorme relevância, e que insiste em manter-se, é o facto de os anúncios dirigidos às crianças continuarem a ser marcadamente sexistas, isto é, a publicidade destinada às crianças continua a separar os seus papéis por sexos, o que acaba por reprimir a partilha das experiências e dos diferentes papéis sociais, tanto no processo de desenvolvimento da criança, como do jovem. Assim, a ideia de poder, força, acção e vitória aparece sempre associado ao sexo masculino. Pelo contrário, os anúncios destinados ao sexo feminino, baseiam-se em conceitos como maternidade, beleza, e sonho. O que quer isto dizer que, os meninos brincam com kits, videojogos, puzzles e brinquedos bélicos. Enquanto, as meninas continuam a brincar com as bonecas, a fazer a comida e a tratar da casa. Como as crianças passam, nos dias de hoje, cada vez mais tempo em frente do televisor, facilmente respondem aos incentivos da publicidade. Assim, o nosso papel, enquanto educadores, passa por alertar os pais para a importância de acompanhar os filhos enquanto estes assistem a programas televisivos. Outro aspecto a ter em conta em todo este fenómeno de consumismo é o sentimento de culpa experienciado pelos pais, pois estes como passam cada vez menos tempo com os seus filhos e, consequentemente, lhes dão pouca atenção, sentem a necessidade de os compensar com bens materiais. Esta é uma rotina que, facilmente se instala e que leva muitas crianças a adoptar a postura de ver e querer. A quantidade de presentes que as crianças recebem actualmente é tão elevada, que me faz questionar sobre a verdadeira importância dessas ofertas. Torna-se, assim, necessário perceber o que faz com que determinado objecto seja tão importante e para que serve. Sendo a oferta cada vez maior, o marketing mais hábil e a publicidade mais certeira, tanto os pais, como os Educadores de Infância, assim como todos os profissionais de educação, seja qual for o nível, assumem um papel muito importante, no que diz respeito aos media, cabendo-lhes, assim, a função de educar as crianças, para os mesmos.

Sem comentários: