As novas tecnologias na vida das crianças

  • Esta semana quando cheguei à sala reparei que existia um novo elemento…um computador! As crianças estavam deliciadas, queriam todas explorar o CD-ROM com jogos que a educadora tinha instalado. Escolhiam, autonomamente, o que queriam jogar, manuseando o rato com uma certa destreza, ou não fossem elas crianças do século XXI! Confesso que todo aquele panorama me fez recuar um pouco à minha infância, chegando à conclusão que, talvez, na idade deles, não saberia o que era um computador, nem sequer o que era um rato, e muito menos tinha a percepção da sua utilidade. Assim, esta semana resolvi reflectir sobre a presença e a importância das novas tecnologias na vida das crianças em idade Pré-Escolar.

  • É inevitável dizer que as novas tecnologias, sobretudo, o computador, ocupam um espaço, cada vez maior, na vida de muitas crianças, mudando inclusivamente o padrão relacional de muitas famílias. Assim, apresenta-se como um novo desafio em matéria educativa, suscitando algumas interrogações: como utilizar pedagogicamente esta tecnologia? Que potencialidades oferece?

  • A introdução da informática nas primeiras idades (antes do início da escolaridade) tem sido uma questão polémica. Os que a defendem referem que com ela o desenvolvimento cognitivo pode ser acelerado e melhorado. Neste sentido, os computadores são encarados como "estimuladores" cognitivos para que a criança atinja o mais rapidamente possível o pensamento formal. Além disso, consideram que utilização de meios informáticos por crianças, em idade pré-escolar, pode favorecer e estimular comportamentos de interacção social.

  • Para outros, possuidores de uma visão mais céptica, as novas tecnologias são vistas como algo que introduzirá na sociedade a despersonalização, isolamento e a desumanização. Acusam as novas tecnologias de servir de instrumento contra a criatividade, limitando as vivências corporais e o estabelecimento de relações sociais. Salientam ainda que poderão violentar o ritmo de evolução normal da criança. Consideram que algumas tecnologias são muito passivas e não proporcionam às crianças a quantidade e a qualidade das experiências emocionais, sócias, cognitivas e físicas que as crianças necessitam para o seu desenvolvimento nesta idade.

  • Polémicas à parte, é importante reconhecer que, numa civilização em que a informática desempenha um papel primordial, a utilização da informática nas primeiras idades pode, só por si, ser um factor de igualdade social, ao permitir a crianças mais desfavorecidas, crescerem com a tecnologia, que em casa não possuem, mas que mais tarde fará parte do seu meio natural.

  • A Educação Pré-escolar oferece, ou deve oferecer à criança oportunidades de usufruir de experiências educativas diversificadas, pois pretende-se que constitua um contexto facilitador de interacções sociais alargadas com outras crianças e adultos. Ao interagir com os seus pares, a criança constrói o seu desenvolvimento e aprendizagem e, paralelamente, contribui para o desenvolvimento e aprendizagem dos outros (Orientações Curriculares, 1997:19).

  • Assim, a formação dos educadores é de primordial importância, pois é nas aprendizagens destas idades que assenta todo o desenvolvimento futuro. Ninguém melhor que o educador conhece as suas crianças. É quem melhor pode seleccionar os programas mais adequados às necessidades de cada criança, e quem melhor os pode integrar na estratégia metodológica que permita atingir os resultados desejados.

  • A partir do software existente, com estratégias adequadas, e em função das capacidades e conhecimentos da criança, podem-se realizar actividades muito atractivas, que podem contribuir para o desenvolvimento do processo de auto-aprendizagem e de correcção dos próprios erros. Aumentar a responsabilidade na tomada de decisões nas tarefas a realizar. As crianças adquirem destrezas e habilidades relacionadas com a psicomotricidade fina e adquirem a dimensão espacial para além de um só plano. Desenvolvem também, a compreensão da linguagem iconográfica e visual, aumenta a auto-estima e a colaboração.

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